Pragas do coqueiro 

Joana M. S. Ferreira
Miguel F. de Lima
Dalva L. de Q. Santana
José Inácio L. Moura

As palmeiras constituem-se em importantes culturas para os trópicos, onde o coqueiro, Cocos nucifera L., considerado a "árvore da vida", é largamente explorado pelos seus múltiplos usos e finalidades e pelas divisas externas que gera para os países que têm no cultivo dessa planta a base de sua economia. Dentre os fatores que respondem pelos baixos índices de produtividade e produção do coqueiro, as pragas são tidas como importantes pelos prejuízos que causam à planta, atrasando o desenvolvimento e o início de produção, reduzindo a produtividade/produção, além de provocarem perdas no plantio.
Existem muitas espécies-pragas associadas ao coqueiro. Lepesme (1947) listou 751 espécies em palmeiras, das quais 22% são específicas do coqueiro. Nirula (1955) listou 106 insetos e um ácaro. A FAO divulgou uma lista de 254 espécies (FAO, 1964); Lever (1969) descreveu 110 espécies; e Kurian et al. (1979) listaram 547 insetos e ácaros danificando coqueiro em vários países do mundo. As espécies mais comuns no Brasil serão descritas de maneira simples, prática e apresentadas em fotografias para melhor serem identificadas. Os métodos de controle serão apresentados com uma abordagem que leva em consideração apenas, a evolução histórica dos resultados de pesquisas nessa área do conhecimento científico.

1. BROCA-DO-PECÍOLO
A broca-do-pecíolo, Amerrhinus ynca Sahlberg, 1823, também denominada broca-da-ráquis-foliar, é um coleóptero pertencente à família dos Curculionídeos, encontrado danificando a ráquis foliar do coqueiro adulto. O ataque dessa praga pode comprometer mais de 50% das folhas de uma planta, afetando seu metabolismo e, conseqüentemente, prejudicando sua produção. Segundo Bondar (1940), este inseto é particularmente daninho na Bahia, onde ocorre em quase todos os coqueirais, atrasando o desenvolvimento e prejudicando a produção. No município de Una, Renard et al. (1987) observaram fortes ataques dessa praga danificando todas as plantas de uma parcela de coqueiro da variedade anão-amarelo. Fortes ataques de A. ynca, também, foram observados em coqueiro anão-verde, nesta mesma região. Além da Bahia, essa praga foi relatada nos estados de Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo (Silva et al., 1968) e, mais recentemente, em Sergipe (Lima & Santana, 1991).

1.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto (Fig. 1) é um besouro que mede, aproximadamente, 20 mm de comprimento (variando entre 14 mm e 22 mm). O tamanho do rostro varia de 4 mm, nos menores exemplares, até 6 mm, nos maiores.
Tem coloração geral amarelada, com pontos pretos brilhantes e salientes espalhados por todo o corpo, principalmente no pronoto e na parte anterior dos élitros. Apresenta, ainda, manchas escuras irregulares no corpo, patas e rostro. Essas manchas são formadas pela variação na quantidade de escamas amareladas que recobrem os élitros pretos. Nos pequenos pontos pretos, não há escamas, apenas um pêlo (espícula) lateral, preto e rígido. As patas apresentam, além das escamas, pêlos esparsos que se adensam nos tarsos. O primeiro par de patas apresenta as tíbias mais largas e maiores que as outras. As antenas possuem forma de cotovelo e encaixam-se em sulcos longitudinais na base do rostro, com escapo longo. Possuem funículo com sete segmentos e clava globosa com três segmentos. Os segmentos do funículo e da clava são cobertos por pêlos curtos e esparsos. A parte terminal dos élitros possui um afilamento abrupto, com aspecto de amassado, recobrindo todo o abdômen. As escamas do último segmento do abdômen são mais finas, assemelhando-se a pêlos.
O adulto tem hábito diurno (Renard et al., 1987) e ocorre com maior freqüência no verão (Bondar, 1940). Segundo observações feitas por Moura (1993), em coqueiros da variedade anão-verde os insetos nascem, copulam e alimentam-se entre os meses de agosto e fevereiro, preferindo para oviposição as folhas 11 e 12. A fêmea, com o rostro, perfura o pecíolo foliar, onde deposita seus ovos, geralmente em grupos de três ou quatro. Ao emergir, a pequena larva penetra na ráquis foliar e aí se desenvolve. Em seu último estádio, mede de 25 a 27 mm de comprimento, transformando-se depois em pupa e permanecendo nesta fase cerca de 20 dias (Bondar, 1940). Por fim, transforma-se em adulto, ainda dentro da galeria. Segundo Costa et al. (1980), o ciclo evolutivo deste inseto completa-se entre seis e oito meses.

1.2 Hospedeiros
A larva desenvolve-se na ráquis da folha de carnaúba, Copernicia cerifera; coqueiro, Cocos nucifera; dendezeiro, Elaeis guineensis; licurizeiro, Syagrus coronata; macaubeira, Platymixium dukei; e palmeiras ornamentais (Silva et al., 1968). No Estado da Bahia, ocorre também na ráquis do pati, Syagrus botryophora.

1.3 Sintomas e danos
As larvas alimentam-se dos tecidos internos da ráquis foliar, fazendo galerias longitudinais que variam de 6 a 8 mm de diâmetro por 30 a 40 cm de comprimento (Fig. 2). Seus restos alimentares, expelidos pelo orifício de postura, acumulam-se no pecíolo e nas axilas das folhas, juntamente com a seiva que exsuda da planta, formando uma mistura resinosa que caracteriza os danos iniciais da praga. À medida que a larva se desenvolve, segue adiante em sua galeria, deixando para trás o canal obstruído por seus excrementos. A galeria estende-se tanto em direção ao tronco, como em direção à extremidade da folha, provocando amarelecimento, enfraquecimento e quebra das folhas atacadas.

1.4 Medidas de controle
Em virtude de o desenvolvimento da larva ocorrer no interior da ráquis, não se recomenda a utilização de controle químico. Ferreira (1987) recomendou que as folhas danificadas pelas larvas devam ser imediatamente cortadas na base e queimadas, para que a praga seja destruída e não se propague dentro do coqueiral. Moura (1993) avaliou a eficiência do controle cultural (poda das folhas), nas condições do sul da Bahia, comprovando que após um ano de controle houve uma redução de, aproximadamente, 65% quando a poda e a destruição das folhas atacadas pelo A. ynca foram realizadas antes do período de emergência dos adultos (entre os meses de maio e julho).
Para outras regiões, onde este período ainda não foi determinado, recomenda-se que o controle cultural/mecânico seja iniciado tão logo os primeiros sintomas sejam detectados na planta (folhas amareladas e com presença de resina solidificada na porção inferior da ráquis das folhas mais velhas). Evita-se desta maneira a poda drástica das folhas atacadas, com conseqüente redução e/ou retardamento da produção. A partir do momento em que sinais da praga forem encontrados em uma plantação, é fundamental que seja feita, também, uma fiscalização permanente das plantas para evitar a disseminação da praga.

2. BARATA-DO-COQUEIRO
A barata-do-coqueiro ou falsa-barata-do-coqueiro, Coraliomela brunnea Thumberg, 1821, é um coleóptero pertencente à família dos Crisomelídeos, considerado praga importante do coqueiral jovem. O hábito da praga se alimentar na folha central, ainda fechada, e completar todo o seu ciclo biológico na mesma planta, aliado à longa duração desse ciclo, predispõe a planta jovem a um estresse, que, de acordo com a população larval presente, atrasa o desenvolvimento da planta, retarda sua entrada em produção e pode até provocar sua morte.
Apesar de não haver na literatura registro de dados que mostrem as perdas econômicas de um plantio em razão do ataque da barata, medidas adequadas de controle devem ser adotadas, tão logo sejam notados os primeiros sinais de ataque desta praga. A presença da barata-do-coqueiro tem sido registrada no Brasil, Paraguai e Argentina (Lepesme, 1947). No Brasil, é observada nos estados do Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo (Silva et al., 1968).

2.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto possui cor vermelha, com uma listra preta no meio do pronoto, élitros rugosos, segmentos abdominais pretos com ângulos vermelhos, antenas pretas e patas de coloração vermelha e preta (Fig. 3). O macho mede, em média, 23 mm de comprimento e 10 mm de largura e a fêmea, 25 mm de comprimento e 11 mm de largura. De hábito diurno, este inseto alimenta-se no parênquima foliar, traçando uma linha reta no sentido paralelo à nervura central dos folíolos, os quais, pela ação do vento, partem-se em tiras. Pode ser facilmente capturado com as mãos, mesmo quando acasalando. Reage à captura liberando, através do aparelho bucal, um líquido amarelo-ouro.
A fêmea coloca ovos individuais sobre as faces superior e inferior dos folíolos das folhas mais novas e os cobre com uma fina camada de muco que os adere à epiderme. O ovo é marrom e torna-se esbranquiçado-lustroso à medida que se aproxima a eclosão da larva; tem formato oval convexo e mede, aproximadamente, 7 a 7,3 mm de comprimento e 3 a 3,5 mm de largura. Após a eclosão, a pequena larva de cor creme-amarelada, medindo aproximadamente 6 mm de comprimento, 2,6 mm de largura e pesando 5,7 mg, rompe a extremidade da película esbranquiçada do ovo que a envolve e migra para a folha central da planta (flecha), localizando-se entre os folíolos ainda fechados. À medida que a flecha se desenvolve, a larva continua num sentido descendente em busca de alimento nos tecidos mais tenros, de modo que a folha, ao abrir, apresente os folíolos perfurados. A larva completa seu desenvolvimento na mesma planta; é chata, convexa no dorso, tem coloração parda e corpo com 11 segmentos (Fig. 4). Destes, o primeiro e o último são os mais desenvolvidos. Possui três pares de patas curtas e fortes nos três primeiros segmentos, com as quais caminha lentamente, lembrando o aspecto de uma lesma.
A presença da larva é facilmente detectada, seja pela presença das folhas que vão se abrindo perfuradas, seja pela grande quantidade de dejetos (pequenos fragmentos de 2 a 3 mm de comprimento, cor de palha seca) acumulados na folha central. A larva, que em seu último estádio tem, em média, 30 mm de comprimento, pára de se alimentar e libera uma secreção com a qual se fixa pela extremidade do abdômen ao pecíolo de uma das folhas mais velhas, permanecendo em repouso até se transformar em pupa. A pupa, de coloração marrom, permanece de cabeça para baixo até a saída do adulto.
O ciclo evolutivo de C. brunnea (de ovo a ovo), em campo, foi assim determinado: incubação do ovo - 19 dias; período larval - 180 dias; período pré-pupal - 11 dias; período pupal - 20 dias; e período de pré-oviposição - 34 dias, totalizando 264 dias (Ferreira & Morin, 1986).
Outra espécie da família Crisomelidae, Mecistomela marginata Thumb., tem sido também notificada em coqueirais no sul da Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso e Rio de Janeiro, provocando os mesmos danos que C. brunnea em coqueiros jovens. O adulto (Fig. 5) é um besouro de coloração preto-esverdeada, com as bordas dos élitros e o pronoto amarelo-castanhos, antenas pretas, patas com fêmur amarelo-castanho e as demais partes pretas. Em geral, é um pouco maior do que C. brunnea, medindo até 34 mm de comprimento. A larva dessa espécie tem forma e desenvolvimento semelhantes à de C. brunnea.

2.2 Hospedeiros
A ocorrência de C. brunnea é, também, relatada em palmeiras do gênero Syagrus (S. romanzoffiana, S. schizophylla, S. coronata, S. vagans) e nas espécies Polyandrococos caudenses e Allagoptera arenaria (Lepesme, 1947).

2.3 Sintomas e danos
As larvas da barata-do-coqueiro alimentam-se fazendo perfurações nos folíolos (Fig. 6), reduzindo a área foliar da planta jovem e provocando atraso do desenvolvimento e da produção do coqueiro. A intensidade do dano está diretamente relacionada ao tamanho e número de larvas na planta. No caso de severas infestações, pode ocorrer completa destruição das folhas centrais e morte da planta. No coqueiro adulto, não têm sido registrados casos graves de ataque dessa praga.

2.4 Medidas de controle
Visitas regulares aos plantios novos de coqueiro devem ser adotadas para que as medidas de controle sejam planejadas e tomadas, tão logo se constate a presença de folhas perfuradas pela praga e/ou se verifique a presença da forma adulta. Em baixas infestações, larvas e adultos devem ser controlados manualmente, ou seja, as pessoas que trabalham na plantação devem ser instruídas para coletá-los e eliminá-los, o que minimiza o ataque da praga. Ferreira & Morin (1984) relataram importante parasitismo de ovos de C. brunnea (Fig. 7) por três micro-himenópteros da família Eulophidae, sendo uma espécie do gênero Tetrastichus e duas do gênero Closterocerus.
O tratamento com produtos químicos deve ser orientado visando somente ao controle das larvas, dirigindo-se o jato da solução para a folha central onde estas se encontram. Deste modo, preservam-se os inimigos naturais de C. brunnea e de outras pragas potenciais. Quando a infestação é baixa, o tratamento deve ser localizado, ou seja, somente as plantas infestadas deverão ser pulverizadas. Porém, se a infestação for generalizada, o tratamento deve abranger todo o plantio. Produtos à base de endossulfan (0,05%), de trichlorfon (0,15%), de methyl parathion (0,06%), ou de carbaryl (0,12%) têm-se mostrado eficientes no controle de C. brunnea, reduzindo a população da praga em mais de 90%, com apenas uma pulverização (Ferreira & Morin, 1986). Dois meses após a primeira intervenção, recomenda-se novo monitoramento da plantação para verificar se as flechas emitidas após o tratamento, quando abertas, ainda mostram danos da praga. Nesse caso, um novo tratamento é recomendado, somente para as plantas danificadas.

3. RASPADOR-DO-FOLÍOLO-DO-COQUEIRO
O coleóptero denominado raspador-do-folíolo-do-coqueiro, Delocrania cossyphoides Guérin, 1844, pertence à família dos Crisomelídeos e é, normalmente, encontrado danificando coqueiros jovens. Em razão do seu ataque, as folhas mais novas secam, atrasando o desenvolvimento da planta e, conseqüentemente, retardando o início da produção do coqueiral. Acredita-se que o início da fase produtiva é seriamente afetado por altas infestações dessa praga. Até o momento, não se tem registro de dados referentes a perdas econômicas no coqueiral, em função do ataque de D. cossyphoides. No coqueiro adulto, raramente, esse besouro é considerado praga. Ocorre na Bahia, Alagoas, Pará, Ceará (Silva et al., 1968) e Sergipe (Ferreira et al., 1994).

3.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto é um besouro pequeno que mede, aproximadamente, 7 a 8 mm de comprimento, de coloração ferrugínea, corpo achatado ventralmente e com as margens do pronoto e dos élitros expandidas e achatadas, encobrindo as patas (Fig. 8). Quando tocado, adere-se fortemente à epiderme dos folíolos. A larva é esbranquiçada, semitransparente, achatada, com 12 pares de apófises laterais, como espinhos. Tanto as larvas como os adultos alimentam-se raspando a epiderme da face inferior dos folíolos das plantas jovens. A fêmea deposita os ovos na face inferior dos folíolos das folhas mais novas (Bondar, 1940). Os ovos são alongados (1,8 mm x 0,8 mm), têm coloração amarronzada e retículos característicos. A fêmea põe cinco ou seis ovos de cada vez e a postura é feita próximo à nervura central dos folíolos, um após o outro. O ciclo de vida dessa espécie dura, em média, dois meses (Genty et al., 1978).

3.2 Hospedeiros
A ocorrência de D. cossyphoides pode ser também observada em licurizeiro, Syagrus coronata, Attalea funifera, e Polyandrococos caudenses (Lepesme, 1947).

3.3 Sintomas e danos
Essa praga, ao se alimentar da epiderme da face inferior dos folíolos das folhas mais novas, causa a sua seca (Fig. 9). Dependendo da intensidade do ataque dessa praga, há atraso no desenvolvimento da planta jovem e, conseqüentemente, no início da produção.

3.4 Medidas de controle
Visitas regulares aos plantios novos são recomendadas, para que possam ser detectadas as plantas danificadas pela praga (com folíolos raspados na face inferior e/ou secos) e adotadas medidas de controle que evitem danos econômicos à plantação. Pulverizações com produtos fosforados e carbamatos têm-se mostrado eficientes no controle dessa praga. O tratamento, indicado somente para aquelas plantas altamente infestadas, deve ser localizado e dirigido. O jato da solução deve atingir a face inferior dos folíolos danificados.

4. VAQUINHA-DO-FRUTO-DO-COQUEIRO
A vaquinha-do-fruto-do-coqueiro, Himatidium neivai Bondar, 1940, pertence à família dos Curculionídeos. Danifica a epiderme dos frutos do coqueiro, provocando sua depreciação e prejudicando o processo de comercialização dos frutos destinados ao consumo da água in natura. Sua presença tem sido observada em frutos de coqueiro nos estados do Amazonas, Bahia e Pará (Silva et al., 1968).

4.1 Descrição, biologia e comportamento
O inseto, no estádio adulto, mede, aproximadamente, 6 mm de comprimento e tem o corpo achatado dorso-ventralmente (Fig. 10). Apresenta cor vermelha brilhante, cabeça parcialmente embutida no pronoto, base das antenas pretas e o restante delas de cor vermelha. A larva mede, aproximadamente, 7,5 mm de comprimento, é de cor branca e possui cabeça e patas embutidas sob o corpo.

4.2 Hospedeiros
Essa espécie ocorre também em Areca bambu; dendezeiro, Elaeis guineensis; Licuda sp.; Livistona sp.; pati, Syagrus botryophora; titara, Desmoncus polyacanthos; e tucum, Astrocaryum tucumoides (Silva et al., 1968).

4.3 Sintomas e danos
As larvas e os adultos da vaquinha-do-coqueiro raspam a superfície dos frutos, destruindo a camada epidérmica. A área do fruto atacada por esta praga perde a cor natural e apresenta coloração amarronzada, devido à lignificação e seca da superfície epidérmica. De um modo geral, o inseto só ataca os frutos grandes. No cacho atacado, é muito comum acharem-se ovos, larvas e adultos de Himatidium sp., nas áreas em que os frutos se tocam, ou seja, nas partes dos frutos onde não há incidência direta dos raios solares.

4.4 Medidas de controle
Tratando-se de frutos secos, para a indústria ou uso doméstico, o controle é desnecessário, tendo em vista a insignificância dos danos causados por esta praga. Porém, quando se destinam ao consumo como coco verde e o dano for generalizado, prejudicando a comercialização do produto, um inseticida de baixo poder residual e que tenha a propriedade de agir por contato pode ser utilizado.

5. BROCA-DO-PEDÚNCULO-FLORAL
A broca-do-pedúnculo-floral, Homalinotus coriaceus Gyllenhal, 1836, é uma praga muito importante do coqueiro, a partir do momento em que a planta emite suas primeiras inflorescências (fase produtiva). Acarreta danos significativos a esta palmácea, principalmente, no que diz respeito à redução ou perda da produção. Bondar (1940) acredita que a ação daninha desta praga provoca uma perda de 50% da produção de coco no Brasil. Sua ocorrência é relatada no Brasil e na Argentina (Lepesme, 1947). No Brasil, foi registrada nos estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo (Silva et al., 1968).

5.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto dessa broca (Fig. 11) é um besouro de coloração preta, tendo pequenas escamas no corpo, que formam manchas pardacentas. Mede entre 20 e 28 mm de comprimento e apresenta dimorfismo sexual pouco diferenciado.
Segundo Gomes (1944), a fêmea é maior que o macho e tem no pronoto duas depressões pouco visíveis. De hábito noturno, o adulto passa o dia abrigado nas axilas foliares. A fêmea faz postura individual no pedúnculo da inflorescência, ainda fechada ou recém-aberta (local preferido de oviposição), em pequenos furos feitos na espata que a protege. Em alguns casos, a postura ocorre antes da emissão das primeiras inflorescências. Neste caso, o local escolhido é a bainha foliar, tanto na sua face interna quanto na externa (Gomes, 1944). O ovo é de coloração branca, formato oblongo, córion liso e luzidio e mede, em média, 3,5 mm de comprimento por 2,5 mm de largura (Fonseca, 1962). A larva é ápode, atinge de 4 a 5 cm de comprimento e tem o corpo recurvado, delgado e branco (Fig. 12). Ao emergir, penetra no pedúnculo floral e forma uma galeria lateral ao longo deste, até alcançar, no final do seu desenvolvimento, a base do pedúnculo entre o estipe da planta e a face interna da bainha foliar. Nesta região, retira tecidos fibrosos para preparar seu casulo e se transformar em pupa, deixando sulcos superficiais de até 8 cm de comprimento (Fig. 13) no estipe da planta, os quais denunciam a presença da praga e indicam a severidade da infestação. É comum encontrarem-se pedúnculos florais com duas ou até três larvas. Acredita-se que, uma vez instalada na planta, a broca-do-pedúnculo-floral passa a produzir gerações contínuas, reinfestando a mesma planta.

5.2 Hospedeiros
A broca-do-pedúnculo-floral ataca também palmeiras dos gêneros Syagrus (S. coronata), Polyandrococos (P. caudenses) e Attalea (A. funifera, A. piassabossu, A. burretiana e A. compta) (Lepesme, 1947).

5.3 Sintomas e danos
A presença de H. coriaceus é denunciada ao observarem-se, no estipe da planta, na região de inserção das folhas, os sulcos superficiais deixados pelas larvas quando elas, no final de seu desenvolvimento, retiram tecidos fibrosos para prepararem seus casulos. Esta atividade da larva não causa dano à planta, mas serve como um indicador de sua presença e da severidade de seu ataque. A larva é a forma mais nociva da praga, pois, ao se alimentar dos vasos liberiano-lenhosos do pedúnculo floral, intercepta a passagem da seiva que assegura o desenvolvimento dos frutos, prejudicando, conseqüentemente, a produção da planta atacada.
O dano provocado pelas larvas reflete-se tanto no abortamento das flores femininas, quanto na queda dos frutos imaturos e na perda total do cacho maduro (Fig. 14). O adulto provoca a queda das flores femininas e dos frutos novos, quando deles se alimenta.

5.4 Medidas de controle
O coqueiral deve ser monitorado para que se possa detectar a presença do H. coriaceus tão logo as plantas iniciem o processo produtivo e para que medidas de controle sejam planejadas e adotadas, assim que apareçam os primeiros sulcos superficiais na região do estipe, logo abaixo da copa da planta. Também, devem ser adotadas medidas profiláticas de controle através da limpeza da copa do coqueiro (retirada das folhas e cachos secos) e queima desses resíduos orgânicos para eliminação das larvas e pupas presentes. De acordo com Santana & Lima (1993), a utilização de produtos químicos à base de malathion, com 5 g i.a./10l de água ou methyl parathion com 12 g i.a./10l de água, em aplicações dirigidas à região dos cachos e da inserção foliar da planta, reduziu a população adulta em 81,2% e 94,3%, respectivamente, e a população larval em 60%. Malathion, quando aplicado em intervalos de três meses, foi o tratamento que se mostrou mais econômico no controle desta praga.

6. GORGULHO-DOS-FRUTOS-E-FLORES
O gorgulho-dos-frutos-e-flores, Parisoschoenus obesulus Casey, 1922, é um coleóptero da família dos Curculionídeos, que tem hábito saprofítico ou oportunista. Entretanto, a fêmea pode fazer postura diretamente nas flores femininas ou nos frutos novos do coqueiro, o que contribui para a queda destes, reduzindo a produção da planta atacada. Considerando-se que são muitos os fatores que contribuem para o abortamento de flores femininas e para a queda de frutos imaturos, torna-se difícil estabelecerem-se métodos de estudo para determinar a importância relativa de cada um desses fatores de redução da produção. Em Sergipe, foi registrada a presença de P. obesulus em todas as coletas quinzenais realizadas, durante dois anos de estudo, no município de Malhador. Esta espécie ocorre nos estados da Bahia, Sergipe (Silva et al., 1968) e Pernambuco (Bondar, 1940).

6.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto de P. obesulus (Fig. 15) possui o corpo castanho-claro-avermelhado, variando até o castanho-escuro ou preto. Freqüentemente, o protórax é mais claro que o resto do corpo. Uma densa pilosidade fulvo-dourada cobre todo o corpo do inseto, com exceção do dorso do protórax. Não raro, ele se protege sob as brácteas dos frutos, completando, aí mesmo, o seu desenvolvimento (Bondar, 1940). Na metade apical dos élitros, há, freqüentemente, desenhos de tonalidade variável formados pela presença de pequenas escamas avermelhadas. Escamas claras, quase brancas, na base e sutura dos élitros, freqüentemente, formam um desenho em forma de "T", entre as escamas avermelhadas.
O macho distingue-se da fêmea por possuir no prosterno um par de chifres voltados para a frente e cuja cor varia, dependendo da tonalidade do corpo (Bondar, 1940). Normalmente, as fêmeas depositam os ovos em cocos imaturos caídos no chão ou entre as bainhas foliares, criando-se as larvas no tecido mesocárpico tenro da base do fruto. Entretanto, quando por qualquer problema há o encurtamento do pedúnculo da inflorescência, fazendo com que ela se abra lentamente, esta praga poderá invadí-la, contribuindo para a queda dos frutos. Em alguns casos, as fêmeas depositam seus ovos em lesões provocadas por outros insetos, como Hyalospila ptychis.
A larva, de coloração branco-leitosa, desenvolve-se normalmente embaixo das brácteas dos frutos e flores e, em alguns casos, nas bainhas foliares e pedúnculos florais. No seu último ínstar, ela sai dos frutos ou flores, caminha rapidamente entre as bainhas foliares e se projeta ao chão, onde completa a metamorfose (Bondar, 1940).

6.2 Hospedeiros
A presença de P. obesulus é, também, observada na piaçava, Attalea funifera; no dendezeiro, Elaeis guineensis (Silva et al., 1968); e no licurizeiro, Syagrus coronata (Bondar, 1940).

6.3 Sintomas e danos
As larvas alimentam-se do tecido mesocárpico dos frutos novos, fazendo galerias sob as brácteas. Quando os ovos são postos em frutos sadios, ou em ferimentos causados por outros insetos, os danos de P. obesulus contribuem para a queda destes frutos.

6.4 Medidas de controle
A limpeza da copa da planta, o coroamento do solo e a destruição (fogo ou enterrio) dos frutos imaturos caídos no solo são medidas profiláticas que contribuem para a redução da população de P. obesulus. Os frutos imaturos caídos, se deixados no solo, transformam-se em excelente foco de multiplicação desta espécie.

7. BROCA-DO-ESTIPE-DO-COQUEIRO
A broca-do-estipe-do-coqueiro, Rhinostomus barbirostris Fabricius, 1775, ou "rhina" é um coleóptero pertencente à família dos Curculionídeos, considerado praga muito importante do coqueiro adulto, embora seu ataque tenha sido, também, notado em plantas jovens, com estipe já formado. No coqueiro, ataques intensos de R. barbirostris provocam a redução da capacidade produtiva da planta, podendo levá-la à morte, seja pela interrupção do fluxo de seiva, seja por torná-la susceptível à quebra pelos ventos. Bondar (1940) relata que um coqueiro atacado, permanecendo vivo, pode ter sua capacidade produtiva reduzida em até 75%.
Esta espécie é praga de coqueiro no Brasil, Argentina, Uruguai, México, Trinidad Tobago e Honduras (Lepesme, 1947). No Brasil, sua ocorrência foi registrada nos estados do Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo (Silva et al., 1968).

7.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto de R. barbirostris é um besouro preto, cujo comprimento varia entre 1,1 e 5,3 cm (Lima, 1991). O rostro do macho difere do da fêmea por ser mais longo e parcialmente coberto de pêlos avermelhados (Fig. 16). Tem hábito noturno, permanecendo abrigado nas axilas das folhas mais baixas durante o dia e saindo à noite, para caminhar sobre o estipe (tronco), ocasião em que a fêmea realiza a postura nas escavações deixadas pela larva da broca-do-pedúnculo-floral, nas áreas danificadas por fogo e nas cicatrizes foliares (Bondar, 1940).
Por ocasião das grandes infestações, a postura também é feita nas partes lisas do estipe. Não há preferência da fêmea por uma parte específica do estipe para a postura. Os ovos são postos isoladamente, em pequenas escavações que a fêmea efetua com o rostro, tanto na região da base a partir de 0,80 m do solo, na região apical logo abaixo da copa da planta, quanto na porção intermediária do estipe. Após a postura, a fêmea recobre os ovos com uma camada cerosa, que endurece em contato com o ar e que serve de proteção contra o ressecamento e os inimigos naturais.
A larva (Fig. 17) desenvolve-se dentro do estipe e atinge até 5 cm de comprimento (Bondar, 1940). O período de maior atividade dos adultos vai das 20:30 h às 2:00 h (Lima, 1991).

7.2 Hospedeiros
Além do coqueiro, R. barbirostris possui outros hospedeiros, como o dendezeiro, Elaeis guineensis; piaçava, Attalea funifera; pindobaçu, Attalea pindobassu; piassabossu, Attalea piassabossu; buri, Polyandrococos caudescens; pati, Syagrus botryophora; e gerivá, Syagrus romanzoffiana (Silva et al., 1968).

7.3 Sintomas e danos
Ao nascer, a larva penetra na planta formando uma galeria em direção ao centro do tronco, de onde expele uma serragem que vai se acumulando no solo, ao redor da planta (Fig. 18). Na região de penetração da larva, pode-se observar, ainda, o enegrecimento do estipe, causado pelo escorrimento da seiva, ou pequenas formações de resina solidificada.
Ao penetrar na planta, a larva forma inúmeras galerias no interior do estipe (Fig. 19), que aumentam de diâmetro à medida que a larva se desenvolve. Com a destruição dos vasos liberianos e lenhosos, ocorre redução e/ou interrupção da passagem da seiva, o que se reflete na produção da planta. Quando ocorre um ataque severo próximo à copa da planta, há interrupção total da passagem da seiva, provocando a quebra das folhas, que ficam penduradas no estipe e, em decorrência, registra-se a morte da planta (Fig. 20). O dano dessa praga provoca o enfraquecimento da planta, predispondo-a à quebra pela ação de ventos fortes (Fig. 21).

7.4 Medidas de controle
Devem-se efetuar inspeções constantes no coqueiral para detectarem-se posturas e destruí-las, raspando-as com facão, quando o porte da planta permitir tal operação. Outra medida importante, que pode ser considerada, é a derrubada e a queima das plantas altamente infestadas, sem condição de recuperação, para reduzir os focos de propagação da praga.
Existem poucos relatos sobre a ação de agentes de controle natural regulando a população desta praga nas diversas regiões produtoras de coco, onde se tem conhecimento da ocorrência de R. barbirostris. Bondar (1940) registrou que o pica-pau é um importante inimigo natural desta praga. Lima (1992) observou parasitismo de 16,7% da formiga Tapinoma mellanocephalum sobre ovos de R. barbirostris, em condições naturais. Testes de laboratório, realizados no Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros (CPATC), da Embrapa, têm mostrado que o adulto dessa praga é susceptível à ação parasitária do fungo Beauveria bassiana.
A utilização de produtos sistêmicos, visando ao controle das larvas no interior do estipe, não se tem mostrado eficiente. Costa et al. (1973) estudaram a ação do inseticida sistêmico methyl oxydemeton, por meio de injeção caulinar, e verificaram que ele só foi eficiente quando aplicado diretamente sobre as larvas ou nas proximidades destas, obtendo-se uma ação de controle por ingestão bastante acentuada. Mencionaram, também, que injeções diretas nos furos iniciais da broca com malathion ou trichlorfon, em concentração elevada, controlam esta praga pela ação de contato e ingestão.
Lima (1993), estudando o controle da larva com inseticidas sistêmicos, injetados em orifícios abertos com trado manual no estipe do coqueiro e avaliados 15 dias após, comprovou que não houve ação sistêmica dos produtos testados, uma vez que 96,45% das larvas mortas foram encontradas nas galerias situadas abaixo do local da injeção. Atribuiu esse fato à ação de contato dos tratamentos, ou seja, as larvas foram atingidas diretamente dentro das galerias ou estavam localizadas nos tecidos próximos às áreas de translocação dos produtos. Em áreas infestadas, utiliza-se, atualmente, injeção de produtos de contato nos orifícios de entrada das larvas.

8. BROCA-DO-OLHO-DO-COQUEIRO
O gênero Rhyncophorus, pertencente à família dos Curculionídeos, encontra-se disperso por quase toda a região tropical do planeta, com espécies consideradas sérias pragas do coqueiro, como R. ferrugineus no Sul da Ásia, R. phoeniceus na África, R. schach na Malásia, R. papuanus na Papua Nova Guiné e R. palmarum nas Índias Ocidentais e na América do Sul.
As larvas dessas espécies podem causar danos irreparáveis ao coqueiro, ao se alimentarem do meristema apical da planta, onde escavam inúmeras galerias nos tecidos próximos ao ponto de crescimento (Bondar, 1940; Gallo et al., 1978; Mariau et al., 1981). A extensão do dano na planta depende, também, do número de ovos postos pelas fêmeas nos ferimentos da planta (Mariau et al., 1981).
No Brasil, o adulto de R. palmarum Linnaeus, 1764, denominado broca-do-olho-do-coqueiro ou bicudo, é o principal vetor do nematóide, Bursaphelenchus cocophilus, que transmite ao coqueiro a doença conhecida como anel-vermelho-do-coqueiro. Uma plantação de coqueiro torna-se vulnerável à ação dessa praga, tão logo as plantas iniciam a formação do estipe.
A espécie R. palmarum, tipicamente americana, ocorre desde a Argentina até a Califórnia, incluindo as Antilhas (Bondar, 1940). No Brasil, encontra-se distribuída nos estados do Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo (Silva et al., 1968), Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe.

8.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto de R. palmarum (Fig. 22) é um besouro de cor preta, opaca e aveludada, com 45 a 60 mm de comprimento por 15 a 18 mm de largura. Possui um bico recurvado (rostro) forte, que mede de 10 a 12 mm de comprimento (Bondar, 1940). Os élitros são curtos, deixando exposta a parte terminal do abdômen, e possuem oito estrias longitudinais. Os machos diferem das fêmeas por possuírem pêlos rígidos em forma de escova, na parte superior do rostro. É um inseto de hábito diurno, podendo ser encontrado em todas as fases - ovo, larva, pupa e adulto - em qualquer época do ano.
Sanches et al. (1993), observando a dinâmica do vôo de R. palmarum na Venezuela, encontraram dois picos de atividade diária bem definidos e correlacionados com a temperatura, sendo o maior pico observado pela manhã, entre 9:30 h e 11:30 h, e o segundo, um pouco inferior, entre 4:30 h e 6:30 h. A fêmea, quando atraída para o coqueiro, penetra na parte tenra da planta, onde coloca seus ovos.
Segundo Bondar (1940), uma fêmea coloca, em média, cinco ovos por dia, totalizando 250 ovos em um ciclo. Os ovos medem de 2 a 2,5 mm de comprimento por 1,25 a 1,35 mm de largura. São cilíndricos, alongados, de cor branco-amarelada e com a superfície lisa, pouco lustrosa. A larva passa por nove a 12 ínstares, sendo que no último ela mede até 75 mm de comprimento por 25 mm de largura. O corpo, recurvado e de cor branco-creme, é subdividido em 13 anéis enrugados. Os anéis medianos são muito maiores que os dianteiros e os traseiros (Fig. 23). A larva manifesta canibalismo, quando em altas populações. Ao atingir seu esenvolvimento completo, a larva inicia a construção do casulo, com fibras da palmeira (Fig. 24). Dentro do casulo, que mede de 8 a 10 cm de comprimento por 3 a 4 cm de diâmetro, a larva transforma-se em pupa e depois em inseto adulto. A pupa tem coloração amarelada e apresenta algumas características do inseto adulto (Bondar, 1940). O adulto, quando emerge, permanece alguns dias dentro do casulo para endurecimento dos tegumentos.
Wilson (1963), investigando o desenvolvimento de R. palmarum em laboratório, encontrou os seguintes dados biológicos: produção média de ovos/fêmea/dia - 4,2; porcentagem de eclosão - 43 a 47%; período de incubação - 64 a 88 horas; número de ínstares - 9 a 12; período larval - 33 a 62 dias (dependendo do substrato alimentar); período pupal - 11,8 dias; adulto dentro do casulo aguardando o endurecimento do exoesqueleto - 5,7 dias; período pré-postura - 1 a 2 dias; período entre acasalamento e postura fértil - 9 dias; total de dias fazendo postura - 25; total de ovos/fêmea - 104,9; longevidade dos adultos: macho - 127,5 dias e fêmea - 44,8 dias; proporção macho:fêmea - 20:17.
Observações de vários autores, como Bondar (1940), Moura et al. (1989) e Rochat et al. (1991), confirmam os efeitos atrativos que os odores das plantas atacadas exercem sobre os insetos. Uma vez encontrada a planta hospedeira, o inseto macho começa a exalar feromônios de agregação, que atraem machos e fêmeas, os quais, por sua vez, agrupam-se sobre a fonte de alimento. À curta distância, o macho detecta a fêmea e imediatamente inicia o cortejo para a cópula. O macho posiciona-se sobre o dorso da fêmea, permanecendo de três a dez minutos, tempo em que ocorrem até quatro cópulas (Sanches et al., 1993).

8.2 Hospedeiros
Essa espécie é, também, encontrada em cana-de-açúcar; dendezeiro; babaçu, Orbignya speciosa; bacabá, Oenocarpus sp.; carnaúba, Copernicia cerifera; gerivá, Guilielma sp.; jaracatiá, Jaracatia dodecaphylla; licurioba e licurizeiro, Syagrus schizophylla e S. coronata; palmeiras imperial e real, Roystonea oleraceae e R. regia; palmito, Euterpe edulis; tamareira e palmeira-das-canárias, Phoenix dactilifera e P. canariensis (Silva et al., 1968).

8.3 Sintomas e danos
A larva da broca-do-olho, ao eclodir do ovo, alimenta-se dos tecidos tenros da planta, destruindo-lhe o meristema apical. Em conseqüência, provoca, inicialmente, o amarelecimento das folhas e, posteriormente, a morte do coqueiro, devido às inúmeras galerias que forma (Fig. 25) no interior da planta. O adulto é o principal agente transmissor do nematóide Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard, agente causal da doença conhecida por anel-vermelho. Os sintomas externos e internos da doença no coqueiro são mostrados nas Fig. 26 e Fig. 27. O anel-vermelho é uma doença letal para o coqueiro e outras palmeiras.
As plantas atacadas por R. palmarum apresentam, inicialmente, a folha nova malformada e esfacelada pela ação do adulto ao penetrar na planta (Bondar, 1940). Com o desenvolvimento das larvas e o aumento do número de galerias internas, os tecidos da planta ficam totalmente destruídos. Abrindo-se a planta, é possível verificar um grande número de larvas, adultos e pupas.

8.4 Medidas de controle
O controle de R. palmarum foi sempre baseado nos hábitos comportamentais deste inseto e na utilização de práticas culturais. Moura et al. (1990), avaliando a eficiência de armadilhas e iscas na captura dos adultos, observaram que as armadilhas do tipo alçapão (Fig. 28), com iscas à base de cana-de-açúcar, foram mais eficientes e atrativas do que aquelas feitas com pedaços de estipe de dendezeiro.
Preparadas as armadilhas, pedaços de cana-de-açúcar com ± 40 cm de comprimento (35 a 40 cm) devem ser amassados e mergulhados em uma calda de melaço diluído em água a 20% e colocados dentro delas. As armadilhas devem ser distribuídas ao longo das bordas do plantio, a cada 500 m, para impedir que os insetos de fora voem para dentro da plantação e para atrair e capturar os que já estão no plantio. As armadilhas devem ser visitadas quinzenalmente para destruição dos insetos capturados e renovação do material atrativo.
Com base nesses estudos, as armadilhas tipo alçapão passaram a ser recomendadas por Moura et al. (1991), como mais uma tática a ser utilizada para o controle integrado de R. palmarum.
Os mecanismos de comunicação de R. palmarum têm sido investigados por vários autores que demonstraram o papel importante do feromônio na agregação desta espécie. Laboratórios da França, Canadá, Costa Rica, Japão e Brasil têm conseguido a síntese desse produto. Com base em testes de campo, realizados no Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros (CPATC), da Embrapa, observou-se que o produto sintetizado, pendurado na tampa da armadilha, é capaz de aumentar a eficiência desta na captura dos adultos. Também, existem relatos de vírus, nematóides, dípteros e fungos como agentes potenciais de controle.
No campo, o índice de parasitismo obtido com o díptero Paratherezia menezesi foi de 51% (Moura et al., 1991,1993) e no laboratório, com o fungo Beauveria bassiana, o resultado foi próximo a 100%, (Fig. 29) (Santana & Lima, 1992, 1994).
Para o controle efetivo de R. palmarum, recomenda-se o monitoramento desta praga durante o ano todo e, com mais intensidade, no período chuvoso.
Para implementação do manejo de maneira integrada, utilizam-se diversas técnicas de controle disponíveis, tais como: erradicar as plantas mortas e com sintomas de anel-vermelho; evitar ferimentos nas plantas sadias; pincelar com piche eventuais ferimentos; eliminar pupas, larvas e adultos em plantas mortas; preservar e favorecer o aumento dos inimigos naturais; e usar armadilhas do tipo alçapão, com iscas atrativas (cana + melaço ou cana + feromônio), nas bordas do plantio, para reduzir a população da praga.

9. INSETO-RODILHA-DO-COQUEIRO
O inseto-rodilha-do-coqueiro, Hemisphaerota tristis Boheman, 1850, é um besouro pequeno, pertencente à família dos Crisomelídeos, que danifica a epiderme dos folíolos das folhas mais velhas do coqueiro, provocando a seca destas folhas, quando o nível de infestação é elevado. Não se tem registro de danos significativos de H. tristis nos plantios de coqueiro localizados no Nordeste, provavelmente, devido à pressão que sofrem suas larvas e pupas de micro-himenópteros da família Eulophidae, muito comuns, principalmente, nos coqueirais de Sergipe.
Esse besouro foi observado no Estado da Bahia (Silva et al., 1968), Sergipe (Ferreira et al., 1994) e, mais recentemente, houve relato de fortes ataques, com danos expressivos, a plantios de coqueiro anão-verde no município de Quissamã, no Rio de Janeiro.

9.1 Descrição, biologia e comportamento
H. tristis é um besouro pequeno, de corpo arredondado mais ou menos esférico, medindo aproximadamente 3,9 mm de comprimento e 3,2 mm de largura, com fortes pontuações sobre as asas e de coloração preta, com tonalidade azulada (Fig. 30).
O adulto e a larva alimentam-se na face inferior dos folíolos. Os ovos são depositados aos pares, na face inferior dos folíolos, sendo cobertos com excrementos da fêmea.
A larva, com sua própria dejeção, forma uma espiral em forma de concha (Fig. 31), a qual é carregada por ela para se abrigar das intempéries e dos inimigos naturais. Chega a medir 4,5 mm de comprimento por 2,5 mm de largura. É branco-amarelada, grossa no primeiro anel torácico, onde são observados dois chifres compridos, carnosos, com estigmas respiratórios no ápice, os quais servem para prender a concha ao corpo e para respirar (Bondar, 1940).

9.2 Hospedeiros
A presença de S. tristis tem sido, também, relatada em licurizeiro, Syagrus coronata, Atallea funifera (Lepesme, 1947), Elaeis guineensis e em outras palmeiras do gênero Syagrus (Silva et al., 1968).

9.3 Sintomas e danos
O adulto e a larva, ao se alimentarem da epiderme da folha do coqueiro, provocam a seca total das folhas.

9.4 Medidas de controle
Os plantios novos devem ser visitados regularmente para se observar o nível de infestação da praga e, caso necessário, adotarem-se medidas de controle. O uso de produtos fosforados tem mostrado efeito positivo no controle dessa praga. Deve-se ter o cuidado de dirigir o jato da pulverização para a face inferior dos folíolos das plantas infestadas.

10. BROCA-DO-BULBO
A broca-do-bulbo, Strategus aloeus Linnaeus, 1758, é um besouro pertencente à família dos Scarabeídeos e constitui problema para o coqueiro quando a plantação é estabelecida em áreas recém-desmatadas ou próximo delas, uma vez que suas larvas se desenvolvem em materiais vegetais em processo de decomposição. A forma nociva é o adulto que, atraído para a planta jovem, na faixa de um ano e meio a três anos, provoca sua morte, ao se alimentar dos tecidos tenros da região do meristema apical.
Ocorre nas Guianas, Venezuela e Brasil (Lepes-me, 1947). No Brasil, existem registros dessa praga nos estados da Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo (Silva et al., 1968) e Sergipe.

10.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto é um besouro castanho-escuro, de hábito noturno, medindo em torno de 6 cm de comprimento por 4 cm de largura. Distingue-se pelas antenas curtas, lameliformes, com alguns segmentos terminais grandes e achatados. O macho difere da fêmea por possuir três chifres cefalotorácicos recurvados para trás (Fig. 32). O adulto cava uma galeria no solo, próximo às palmeiras novas, onde permanece durante o dia e perfura uma galeria no coleto da planta jovem, próximo e/ou por debaixo do nível do solo, para se alimentar durante a noite. Geralmente, é atraído por fontes luminosas.
A larva mede, aproximadamente, 5 a 6 cm de comprimento e desenvolve-se, normalmente, em madeiras em processo de decomposição. É uma praga eventual do coqueiro jovem, sendo encontrada nas plantações, no início do período chuvoso, principalmente em locais próximos a áreas recém-desmatadas.

10.2 Hospedeiros
S. aloeus é encontrado em cana-de-açúcar, Saccharum officinarum; carnaúba, Copernicia cerifera; coqueiro, Cocos nucifera; gerivá, Syagrus romazoffiana e outras palmeiras do gênero Syagrus (Silva et al., 1968).

10.3 Sintomas e danos
O adulto, ao penetrar no bulbo em busca de alimento, vai formando uma galeria que, ao atingir a parte mole (tecidos meristemáticos), provoca murchamento e conseqüente morte da planta. Até o momento, não foi relatada a ocorrência de danos significativos dessa praga em coqueiros adultos.

10.4 Medidas de controle
Visitas regulares aos plantios novos são recomendadas, para detectarem-se as plantas murchas, os orifícios de 2,5 a 3,0 cm localizados na base da planta e/ou no solo próximo à planta, e os montículos de terra fresca junto aos orifícios, a fim de adotarem-se medidas de controle, evitando-se, dessa forma, danos econômicos à plantação. Uma vez encontradas no coqueiral plantas danificadas pelo Strategus, estas devem ser imediatamente arrancadas e destruídas. Encontrados os orifícios de entrada dos adultos, quer seja na planta, quer seja no solo, deve-se proceder a retirada dos adultos do interior das galerias, com o auxílio de um arame grosso, duro e de ponta afiada. No caso de plantios comerciais, pode-se empregar armadilha luminosa para atrair o inseto adulto. É muito importante que todos os restos de madeira em processo de decomposição, encontrados nas proximidades da plantação, sejam destruídos (através de queima, enterrio) para se evitar a multiplicação do inseto, uma vez que as larvas do Strategus, normalmente, desenvolvem-se nesse meio. Os buracos feitos pelo inseto, também, poderão ser polvilhados com inseticidas de contato.

11. MINADOR-DE-FOLÍOLO
Este minador, Taphrocerus cocois Bondar, 1922, pertencente à família dos Buprestídeos, pode provocar a seca dos folíolos das folhas do coqueiro, iniciando seu ataque, quase sempre, pelas folhas mais velhas. Existem inimigos naturais que mantêm a população dessa espécie em níveis baixos, impedindo que cause danos significativos aos plantios de coqueiros. Sua presença tem sido relatada nos estados da Bahia, Paraná (Silva et al., 1968) e Sergipe (Ferreira & Morin, 1985).

11.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto (Fig. 33) é um besouro com 4,5 mm de comprimento, preto-violáceo, com reflexos metálicos. Tem hábito diurno e quando tocado fica imóvel. Ocorre em Sergipe com maior freqüência no período seco, meses de novembro a janeiro (Ferreira & Morin, 1985). A fêmea faz postura isolada na face superior do folíolo. O ovo, de coloração castanho-escura a negra e formato subovalado (diâmetro 1,0 x 1,5 mm de comprimento), fica preso à epiderme do folíolo sobre o qual pequenos fragmentos são aderidos.
A larva, ao eclodir, penetra na folha alojando-se entre as epidermes superior e inferior do folíolo, formando uma galeria longitudinal, à medida que se alimenta dos tecidos internos. A galeria chega a atingir, em média, 10,5 cm de comprimento por 5 a 6 mm de largura e apresenta uma variação de cores que, de certa forma, evidencia os diferentes estádios de desenvolvimento da larva.
No final do ciclo, a galeria adquire uma coloração marrom-escura uniforme. A larva é branca, ápode, com o primeiro segmento torácico bem mais desenvolvido do que os demais, característica típica dos Buprestidae. Mede, no final do desenvolvimento, em média, 10 mm de comprimento. Completado o período larval, a larva cessa sua alimentação, retorna para a parte mediana da galeria e empupa, permanecendo, entretanto, livre dentro da galeria. A pupa é de coloração castanho-escura (Ferreira & Morin, 1985).
Estes mesmos autores, investigando o desenvolvimento de T. cocois, encontraram os seguintes dados biológicos: incubação do ovo - 12 dias; fase larval - 25 dias, com três ínstares, tendo o primeiro seis dias, o segundo oito dias e o terceiro 11 dias; fase pupal - 12 dias, totalizando um ciclo de 49 dias, da postura à emergência do adulto.

11.2 Hospedeiros
T. cocois é encontrado em palmeiras nativas dos gêneros Syagrus, Polyandrococos e Attalea. Também, ocorre em dendezeiro, Elaeis guineensis (Silva et al., 1968).

11.3 Sintomas e danos
Ao eclodir, a larva penetra no folíolo, fazendo uma galeria no sentido longitudinal, entre as duas epidermes (Fig. 34). A galeria atinge até 10 cm de comprimento e é alargada à medida que a larva cresce. A região afetada seca rapidamente.

11.4 Medidas de controle
Pouca importância tem sido atribuída a T. cocois como praga do coqueiro, uma vez que sua população tem sido mantida sob controle, pela ação dos seus inimigos naturais. Ferreira & Morin (1985) identificaram, em Sergipe, as espécies Horismenus sp. (Himenoptera: Eulophidae) e Spilochalcis sp. (Himenoptera: Chalcididae), parasitando larvas e pupas de T. cocois.

12. LAGARTA-VERDE-URTICANTE-DO COQUEIRO
As lagartas dessa espécie, Automeris cinctistriga Felder, 1874, pertencente à família dos Attacídeos, reduzem a área foliar da planta e podem provocar atraso no desenvolvimento e afetar a produção do coqueiro. Normalmente, encontram-se bem distribuídas em várias folhas, não chegando a causar grande desfolhamento em nenhuma delas.
Sua importância como praga está diretamente relacionada ao tamanho da população, à disponibilidade do hospedeiro, às condições ambientais favoráveis e à ausência de inimigos naturais. Sua presença tem sido assinalada nos Estados de Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte (Silva et al., 1968) e Sergipe.

12.1 Descrição, biologia e comportamento
O adulto é uma mariposa que pode alcançar 10 cm de envergadura, de coloração marrom-clara, com círculos concêntricos de diferentes cores nas asas posteriores. Geralmente, os adultos são atraídos por fontes luminosas.
As lagartas dessa espécie são urticantes e verdes (Fig. 35) e, no final do seu desenvolvimento, podem atingir até 9 cm de comprimento. Têm hábito diurno, ocorrência esporádica e, normalmente, são observadas dispersas nas folhas.

12.2 Hospedeiros
Além do coqueiro, A. cinctistriga tem como hospedeiros o dendezeiro, Elaeis guineensis, diversas palmáceas nativas (Lepesme, 1947), a amoreira, Morus alba, a mangueira, Mangifera indica e a roseira, Rosa sp. (Silva et al., 1968).

12.3 Sintomas e danos
As lagartas, ao se alimentarem do limbo foliar, provocam desfolhamento no coqueiro, desde o viveiro até a fase adulta. A ocorrência dessa praga é observada pela presença de fezes cilíndricas e fendilhadas, no solo, embaixo das plantas atacadas.

12.4 Medidas de controle
Ao serem d